Um Blogue dedicado a explorar questões deixadas em Branco no Processo Casa Pia, focado mais especificamente no Caso de Carlos Cruz
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Incoerência #1 - Depois de 7 anos de Investigação o que se Sabe de Novo?
Há cerca de 7 anos atrás quando tudo começou, o País foi tomando conhecimento das seguintes informações divulgadas pelos meios de comunicação social, e que resumidamente foram as seguintes:
- Que existiram abusos sexuais praticados contra menores da Casa Pia, dentro e fora das instalações.
- Que Carlos Silvino, funcionário da instituição, estava envolvido e acabou por confessar.
- Que alegadamente existiam mais suspeitos envolvidos nos crimes, incluindo personalidades da sociedade Portuguesa, dos quais surgiram nomes tão conhecidos como o de Carlos Cruz, Paulo Pedroso, Herman José, entre muitos outros, e pessoas menos conhecidas da praça publica como os restantes arguidos do processo.
- Que um conjunto de menores, alegadamente vitimas desses mesmo abusos, identificaram esses suspeitos assim como o próprio Carlos Silvino que disposto a colaborar também identificou uma série de suspeitos.
- Ficou-se a saber empiricamente que haveriam provas testemunhais disponíveis contra os suspeitos, quer por parte de uma série de menores, quer por parte de Carlos Silvino.
Resumidamente e por outras palavras, há cerca de 7 anos atrás a opinião publica soube que algo de horrendo se tinha passado contra menores da Casa Pia, que um dos funcionários Carlos Silvino estava de certeza envolvido, que havia suspeita de muitos outros envolvidos, incluindo Carlos Cruz e muitos outros nomes da "ribalta", soube-se que estas suspeitas eram sustentadas essencialmente pelo testemunho de menores e pelo testemunho do próprio Carlos Silvino.
Por outras palavras há 7 anos atrás sabia-se que haviam provas testemunhais, e sabia-se que essas mesmas provas vinham por 2 fontes diferentes:
- Carlos Silvino, um pedófilo disturbado com um passado traumatizante e uma vida inteira envolto na obscuridade e secretismo que o abuso de menores representa.
- Vários menores de idade com um passado altamente traumatizante, psicologicamente instáveis e que muitas vezes foram aliciados por meios de comunicação social (o caso foi todo "desbravado" por jornalistas, muitas vezes sem olhar a meios para conseguirem uma boa manchete).
A tipologia destas duas fontes testemunhais suscitou sempre algumas questões:
- Que credibilidade tinha um criminosos como Carlos Silvino, como testemunha?
- Que credibilidade tinham os menores traumatizados, instáveis e aliciados, como testemunhas?
As opiniões podem-se dividir, decerto os radicais de um lado dirão que estas testemunhas tem toda a credibilidade e os radicais do outro lado dirão que não tem qualquer credibilidade... Independentemente disso, penso que é consensual que perante este cenário testemunhal tão frágil (é um facto: é muito frágil), seria muito importante, ou melhor seria forçosamente necessário, existirem outras provas (não testemunhais) sobre o caso, que sustentem a acusação contra os suspeitos. Certo?
Exacto... dai a Investigação, é para isso que ela serve: investigar!
O papel da investigação neste caso, seria o de reunir provas que sustentassem as suspeitas lançadas por uma série de testemunhas cuja credibilidade é de alguma forma questionável ou pelo menos é garantidamente frágil. Mas não só, a Investigação também tinha o papel de investigar as provas dadas pelos arguidos (suspeitos) em sua defesa assim como muitas outras "pistas" que foram surgindo lateralmente no decorrer do caso.
Passados 7 anos de investigação, onde se gastaram uma quantidade enorme de recursos humanos e financeiros, o que se ficou a saber de "novo" em relação ao caso?
Bem, concretamente e espremendo por miúdos, não se ficou a saber absolutamente nada de novo no que diz respeito a provas.
Investigação? qual investigação?
As provas apresentadas contra Carlos Cruz e outro arguidos são apenas as tais provas testemunhais que todos já tínhamos conhecimento há 7 anos atrás, envoltas na mesma questionabilidade e fragilidade que lhes estão associadas. (*)
(*) Repare-se que o testemunho de um dos menores que acusa Carlos Cruz (e outros dos arguidos) é exactamente o mesmo menor que acusou o deputado Paulo Pedroso (ver notícia), o depoimento deste menor foi classificado pela Juíza como "muito relevante", no entanto Paulo Pedroso não foi levado a julgamento exactamente pela falta de credibilidade das testemunhas. Este é apenas um de muitos exemplos da fragilidade testemunhal na qual se baseia toda a condenação.
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